De todas as funções do nosso corpo, a respiração é a mais essencial para a manutenção da vida. Podemos viver alguns dias sem comer ou beber nada, mas não viveremos mais que alguns minutos sem a respiração. Você já pensou nisso? Ou melhor, já pensou na sua respiração? Será que você a conhece a ponto de saber a melhor forma de aproveitá-la? A partir de agora, respire fundo e aprenda a respirar.
Respirar é o movimento de levar o ar para dentro e para fora dos pulmões, uma das atividades mais importantes de todo ser vivo. Esse movimento envolve duas cavidades do nosso corpo: a toráxica e a abdominal. Ambas são maleáveis e compostas por orgãos vitais.
Quando inspiramos, os órgãos abdominais sofrem um deslocamento, mudando o seu formato. Outras funções vitais também podem modificar esses órgãos, mudando até mesmo o volume deles, como é o caso da ingestão de líquidos e de alimentos. Se bebemos ou comemos demais, por exemplo, alguns órgãos abdominais se distendem. Quando isso ocorre acontece uma redução da cavidade toráxica. Por isso, sentimos dificuldade em respirar logo após uma refeição.
Mas afinal, como ocorre o processo respiratório? Através do volume e da pressão. Elas são inversamente proporcionais. Então, quando uma aumenta a outra diminui e vice-versa. O ar sempre se direciona para as regiões em que há menos pressão. A pressão interna do nosso corpo é, geralmente, muito menor do que a externa e isso faz com que o ar seja conduzido para dentro, aumentando assim o volume interno. Quando a cavidade toráxica
volta ao seu volume normal, o ar é expulso.
Perceba que apesar da sensação que temos ao inspirar, não estamos puxando ar para dentro dos pulmões. Pelo contrário, o ar é empurrado para dentro do corpo pela pressão atmosférica que está a nossa volta.
Entre essas duas cavidades existe um músculo chamado diafragma. Ele divide os órgãos toráxicos dos abdominais, possui o formato de uma cúpula e é considerado o principal músculo da respiração, ocupando uma parte extensa do corpo.
O diafragma é o responsável por distender o abdômen e também expandir a caixa toráxica. Geralmente, pensamos que o diafragma realiza apenas a respiração abdominal que muitos chamam de diafragmática. Mas o diafragma também se ocupa da respiração intercostal, que chamamos de respiração média.
A maioria das pessoas executa apenas a respiração alta, ou subclavicular, o que significa dizer que aproveita muito pouco da sua capacidade pulmonar, ou seja, realiza uma respiração curta e insuficiente. Nesse caso, o diafragma é pouco utilizado e, com isso, começa a perder mobilidade, de se estender e contrair-se. Assim como acontece com qualquer músculo que deixamos de utilizar ou de alongar.
Uma respiração completa compreende em inspirar, trazendo o ar primeiramente para a parte baixa dos pulmões, região abdominal, depois ocupando a região média e, por fim, preenchendo a região alta. A exalação terá o movimento inverso, de cima para baixo. Nesse processo, ao inspirar, o diafragma é estendido, projetando os órgãos do abdômen para fora, as costelas para os lados e os músculos acessórios da respiração movimentam o tórax para cima. Ao exalar, o tórax baixa, as costelas se aproximam e o abdômen é empurrado para dentro.
Uma respiração curta e instável gera uma porção de efeitos colaterais, sendo um dos mais comuns a falta de vitalidade. Isso porque o corpo é pouco oxigenado. O ar é o nosso principal alimento, não somente no sentido qualitativo, mas também no sentido quantitativo. Afinal, somos feitos de 65% de oxigênio. Será que aquele cansaço no final do dia não seria apenas a carência de uma respiração adequada ao longo do dia?
O oxigênio é o elemento principal das nossas células. Sem ele, a assimilação correta dos alimentos não poderia ser efetuada. A digestão é um processo complexo que depende do oxigênio. Se respiramos mal, digerimos mal. A respiração completa, além disso, pelo seu movimento diafragmático, gera um massageamento dos órgãos abdominais, movimentando-os, auxiliando o movimento peristáltico dos intestinos, eliminando toxinas, fortalecendo os músculos de sustentação dos órgãos.
O músculo do diafragma é um dos mais fortes e ativos que temos em nosso corpo, juntamente com o coração. Ele é considerado nosso segundo coração e é tão importante quando ele, pois o sistema circulatório e o sistema respiratório estão intimamente ligados, uma vez que é o sangue que transporta o oxigênio a todas as partes do corpo humano onde ele é necessário. Consequentemente, uma respiração insuficiente sobrecarrega o trabalho do coração. Portanto, quanto maior for a nossa capacidade pulmonar, melhor será o funcionamento do coração.
Além disso, a função respiratória é a única função vital que temos acesso, ou seja, apesar de ela acontecer involuntariamente, pode tornar-se voluntária. Através da respiração, conseguimos atuar em outras funções vitais do nosso corpo. Se não podemos atuar diretamente no estômago, nos intestinos, no fígado, no coração, chegaremos até esses órgãos através da nossa respiração.
Estados de stress, ansiedade e medo tensionam o diafragma e os músculos acessórios, impedindo uma respiração ampla. Ao travaramos contato com essas situações, devemos retomar uma respiração profunda, consciente e pausada para que o nosso estado emocional se estabilize e possamos analisar a situação com mais clareza de raciocínio. Afinal, quantas histórias você já ouviu de vestibulandos que tiveram um “branco” na hora da avaliação? Será que eles realmente não sabiam a matéria ou era apenas uma questão de instabilidade emocional?
Os estados emocionais expressam-se em nosso corpo através de um determinado padrão respiratório, mas também podemos modificar ou produzir determinadas emoções alterando o ritmo da respiração. Para tanto, é preciso conhecer as técnicas adequadas e treiná-las.
Observe como se comporta sua respiração quando você está com medo, ansioso, alegre ou tranquilo. Por isso, quando você executa técnicas respiratórias consegue alterar um estado emocional através da mudança que realiza em sua respiração. Uma exalação mais longa do que a inspiração, por exemplo, é ótimo para sedar o corpo, descontrair a musculatura e eliminar estados de tensão. Um respiração abdominal, forte e acelerada, consegue, em poucos segundos, aumentar a vitalidade gerando uma sensação de euforia e bem estar.
Por fim, da próxima vez que inspirar, lembre-se de que esta simples atividade pode alterar todo o funcionamento do seu organismo, potencializando-o e, a partir disso, modificando até mesmo estados emocionais e a sua capacidade intelectual.