Autoconhecimento – por Leonardo Pinho

Em filosofia, o autoconhecimento ou conhecimento de si é ou um objeto de investigação epistemológica ou é a finalidade de uma busca de natureza ética. Quando visto como objeto da investigação epistemológica, o que se busca é a explicação de como e o que é conhecido. Quando visto como projeto ético, o que se busca é a realização de algo que leve o sujeito a ser mestre de si mesmo e, consequentemente, um ser humano melhor.

O indivíduo que obtém o autoconhecimento participa objetivamente do meio em que vive e torna-se ativo em suas funções por ter melhor compreensão de suas resposnabilidades, deveres e necessidades. O autoconhecimento leva à lucidez. Em entrevista concedida ao jornalista português António Mateus em 2009, o Educador DeRose diz que quando o indivíduo tem mais lucidez, a primeira coisa que ocorre é que ele vai exercer melhor o seu trabalho, a sua posição na família, o seu engajamento em qualquer ideal, seja ele político, humanitário, filantrópico, artístico, seja lá qual for. E, além do mais, ele se sente integrado. Quando o indivíduo ainda não tem uma consciência plena, ele acha que o mundo se divide entre “eu e os outros”. No momento em que a consciência se expande, ele percebe que não existe essa coisa de “ eu e os outros”. Somos uma só coisa, estamos todos interligados, não apenas dentro da espécie humana, mas entre todas as espécies e com o próprio planeta, com o próprio cosmos. E esse estado de consciência expandida é alcançável. Mas, geralmente, quando uma pessoa menciona sua pretensão, a sua intenção de conseguir tal estado de consciência, um outro que não imagine o que é isso, que não tenha lido a respeito, que não tenha se esclarecido, pode supor um ideal inalcançável, pode supor uma fantasia. Acontece que muita gente já logrou esse estado de consciência.

A proposta do Método DeRose é a de um treinamento contínuo de concentração através da utilização de suas técnicas visando um estado expandido de lucidez onde o praticante passa a exercer seu papel também dentro da sociedade onde este interfere e contagia positivamente os demais através de ações conscientes, objetivas e efetivas.

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Expansão do potencial de concentração – por Leonardo Pinho

Concentração é a capacidade de ter em mente apenas um pensamento, é ter a atenção voltada para um único ponto. Estamos concentrados quando temos em mente apenas um único objetivo, ou uma única imagem mental. Se por exemplo, estamos tentando imaginar algo e em nossa mente passa uma sucessão de pensamentos, vozes e imagens, então não estamos concentrados em nada.

O que ocorre atualmente é um aumento na dificuldade de concentração de maneira geral. O cotidiano atribulado, as preocupações diárias, a exposição a vários estímulos visuais e sonoros ao mesmo tempo e o stress acabam por dificultar a concentração sobre um único foco. Este fator interfere diretamente no rendimento sócio-cultural do indivíduo, por não lhe permitir o rendimento desejado em suas atividades, seja profissionalmente, seja culturalmente. Se o rendimento do individuo não é satisfatório, este precisa dedicar-se mais em suas atividades; se não se concentra naquilo que faz, precisa mais tempo para realizar as atividades, tem mais dificuldade nelas e consequentemente fica mais cansado e menos disposto para outras interações.

Entende-se então, que a concentração não é apenas importante durante as horas em que se está no trabalho ou dedicando-se ao lazer (leitura, teatro, interações sociais, etc.) e sim que ela, ou sua falta, exerce papel fundamental em todos os aspectos da vida de um indivíduo.

O Método DeRose propõe, através de suas práticas, a melhoria na concentração visando melhor aproveitamento das atividades e otimização dos resultados delas. Dentro deste escopo, é possível afirmar que um indivíduo que obtém melhor aproveitamento em suas atividades acaba por viver melhor. Assim, passando a aproveitar melhor seu tempo, desfrutando de suas escolhas e convivendo melhor em seus círculos de interação.

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Coisas que a vida me ensinou: Quem não serve como amigo, não serve como inimigo

Já vi muita gente declarando: “Fulano não serve para ser meu amigo. Vou lhe dizer umas poucas e boas.”

A sabedoria popular diz que mexer no que não cheira bem só faz piorar o odor. Se o Fulano em questão realmente não serve como amigo, o melhor é tomar uma medida amenizadora do mal-estar ou do mal-entendido surgido e, depois, promover um afastamento cordial.

A vida me ensinou que uma pessoa que não sirva para se conviver, alguém em quem não se possa confiar, é também uma pessoa com quem devemos evitar confusão.

O que é que você ganha discutindo com alguém? Algumas pessoas fazem isso porque andaram assistindo novela e aprenderam a “não levar desaforo para casa”. Algumas dessas pessoas nem mesmo sabem conduzir um relacionamento de amizade ou conjugal sem estar todo o tempo a contender, como se a existência devesse consistir em um incessante defender-se dos outros e proteger seu território. Isso caracteriza nível educacional muito baixo. Pessoas educadas e elegantes não utilizam esse paradigma.

Quem se melindra e briga por tudo e por nada, é portador de complexo de inferioridade. Se você não é um complexado, não precisa responder a uma agressão com outra agressão.

Agora considere: quem parte para um bate-boca não pode ser uma pessoa fina. Geralmente, tem pouco a perder. Não é o seu caso. Tornar-se inimigo de uma pessoa ralé pode lhe custar dissabores futuros, ao longo de toda a sua vida. O que fazer então? Deixar o inconveniente azucrinar a sua existência? Jamais! Quem não serve para ser seu amigo deve ser afastado com arte. Dependendo do tipo de relacionamento que vocês mantiveram, promova um distanciamento progressivo e, volta e meia, você tempera com uma cortesia. Por outro lado, recuse gentilmente os convites para o estreitamento da convivência, mediante justificativas aceitáveis.

O que você não deve fazer é partir para a briga, ou insultar, ou prejudicar a quem quer que seja. A maior parte das pessoas que trabalharam comigo e que eu precisei exonerar, continuam minhas amigas. A maior parte das minhas ex-esposas continuam mantendo boas relações comigo. As pessoas com quem não consegui preservar o distanciamento cordial e que hoje não gostam de mim, considero que, com essas, fracassei. Felizmente, foram poucas.

Isso de “ter que conversar” só funciona quando as pessoas são de fato amigas ou muito inteligentes, o que não constitui a média da humanidade! Nem com marido e mulher essa coisa de sentar para conversar funciona muito bem. Cada qual fica na defensiva e sai briga. Isso só funciona para os terapeutas, cuja profissão é o diálogo. É muito melhor adotar a tática da gentileza e do carinho quando não for o caso da necessidade de afastamento.

Texto escrito pelo Mestre DeRose. Acompanhe o blog do educador DeRose: http://www.metododerose.org/blogdoderose/

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“Nem de peixe?”, por Lucas De Nardi

Uma das coisas que sempre me intrigou foi o fato de que toda vez que esclareço para as pessoas que não me alimento de carnes, elas sempre me fazem a mesma pergunta:

- Nem de peixe?

O engraçado é que a própria pergunta já traz em si a resposta porque se não fosse pela linguagem coloquial, a frase completa seria “Mas nem carne de peixe?”. Ora se é carne de peixe, porque não seria carne? Será que este animal tem alguma distinção dos outros ao morrer para servir de alimento? Será que por ter sua origem no mar, sua morte não é tão expressiva?

Recentemente, lendo o livro A Consciência de Zeno, de Italo Svevo, que nada tem a ver com o assunto, encontrei uma passagem que talvez lance luz sobre esta ideia errônea que as pessoas normalmente tem sobre a tal carne de peixe.

Falta aos peixes qualquer meio de comunicação conosco; assim não conseguem despertar a nossa compaixão. Abocanham a isca mesmo quando estão sãos e salvos na água! Além disso, a morte não lhes altera o aspecto. Sua dor, se existe, permanece perfeitamente oculta sob as escamas.

Portanto, parece que seria necessário, aos peixes, capacidade de expressão. Falta-lhes acenar a cauda ou lamber as pessoas para mostrar-lhes que eles também vivem e para que elas saibam que eles também morrem!

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Sabores


Bom, eu gosto de cozinhar. Mas minhas receitas preferidas são aquelas mais simples, que não exigem muitas etapas de preparação e que preservam o sabor de cada ingrediente.

Espero que aproveitem as receitas, copiem e experimentem, troquem os ingredientes, refinem, e extraiam tanto prazer em degustar um prato quanto em prepará-lo.

A receita da caponata de berinjela é minha e as demais foram extraídas e adaptadas do livro A Volta do Chef sem Mistérios, do Jamie Oliver. Elas são simples, refinadas e saborosíssimas. Beijos da Clá!

Caponata de berinjela

Ingredientes:

2 berinjelas
1 cebola pequena
1/2 pimentão vermelho
1/2 pimenta dedo de moça
temperos a gosto (páprica picante, açafrão, curry)
caldo de legumes
aceto balsâmico
óleo
óleo de oliva

Modo de preparo:

Pique a cebola, as berinjelas, a pimenta vermelha e o pimentão. Comece refogando a cebola com um pouco de óleo, e logo acrescente os demais ingredientes, com exceção de aceto e do óleo de oliva.
Tampe de deixe refogar por alguns minutos. De tempos em tempos, mexa para não grudar no fundo da panela e vá acrescentando pouco a pouco o azeite. Quando a berinjela estiver macia, acrescente o aceto balsâmico. O ideal é que a berinjela fique muito macia, quase se desmanchando.
Transfira para um recipiente com tampa e complete com óleo de oliva. Armazene na geladeira.

Salada de azeitonas e tomates-cereja esmagados

Esta é provavelmente a salada mais rápida que eu preparo, mas nem sempre por isso a menos saborosa. Pouquíssimos ingredientes, sabores simples, prazer absoluto. Tente utilizar a grande diversidade de tomates-cereja disponíveis atualmente: amarelo, rajado e tomate-cereja italiano, por exemplo. E, como sempre digo, é muito melhor comprar as azeitonas com caroço, porque são mais saborosas. Acredite em mim.
Sempre calculando 4 porções de tomates para cada porção de azeitonas, amasse os tomates-cereja em uma tijela. Eu costumo colocar uma mão diante dos tomates, já que quando faço isso o suco e as sementes espirram para todo lado, especialmente em mim. Você pode esmagar os tomates mais grosseiramente se preferir que a salada fique com um aspecto mais rústico e menos perfeitinho. Então esmague as azeitonas sobre uma tábua com um objeto duro – uma xícara ou um rolo de pastel. Remova os caroços, junte as azeitonas e misture tudo.

O que está pronto é a base da salada, e o que você acabou de preparar faz todo o sentido em temos culinários. Enquanto os tomates precisam de sal, as azeitonas são conservadas no sal. Assim, você espremeu o suco dos tomates que, por sua vez, retiram o sal e o sabor defumado das azeitonas. Isso deixa as azeitonas bem comestíveis e os tomates incrivelmente saborosos. A parte mais importante já foi feita; tudo o que se pode fazer agora é acentuar o sabos de acordo com o seu gosto pessoal, com umas duas borrifadas de vinagre, de preferência de ervas ou de vinho tinto, um pouco de pimenta-do-reino moída na hora e uns 2 ou 3 fios de óleo de oliva. Um pouco antes de servir, rasgue bastante manjericão sobre a salada e até mesmo um punhado de rúcula se tiver. Adorável.
Dica: se sobrar um pouco, você pode aproveitar o restante misturando com uma porção de espaguete quente.

Batatas assadas, migalhas de pão, tomilho e limão

Ingredientes:
Para 4 – 6 pessoas

280 mL de creme de leite integral
suco de 1 limão siciliano (ou galego)
1 bom punhado de tomilho fresco, folhas aparadas e picadas
3 punhados de queijo parmesão ralado
sal e pimenta do reino moida na hora
2 batatas médias por pessoa, cortadas em rodelas finas
2 bons punhados de migalhas de pão fresco
óleo de oliva

Modo de preparo:

Preaqueça o forno à temperatura de 220ºC. Em uma tigela, misture o creme de leite, o suco de limão, metade do tomilho e a maior parte do parmesão e tempere bem a gosto. Acrescente as batatas cozidas em rodelas. Misture bem e derrame tudo em uma travessa própria para assar.
Misture as migalhas com o restante do tomilho, do parmesão e um pouco de sal e pimenta. Espalhe as migalhas de pão temperadas sobre as batatas e regue com um pouco de óleo de oliva. Asse no forno por aproximadamente 45 minutos ou até que as batatas fiquem tenras, e o pão, dourado.

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Zuckerberg & Abreu S/A – por Carlos Thompson Flores

Sou fã do facebook. O orkut acabou, o twitter esfriou de vez e o MSN não tem mais razão de ser. O facebook sacia 98% das nossas necessidades na internet. Por que mandar um e-mail, se basta enviar uma mensagem? Pra que retuitar, se dá pra curtir (e ainda comentar… e ainda curtir o comentário…)? As listas de papel podem ser dispensadas em qualquer programação, bem como telefonemas e convites escritos. Nada mais prático e eficaz do que “criar um evento”. O facebook é bonito, dinâmico e moderno; tudo isso sem perder a simplicidade (característica dos gênios). As propagandas e patrocínios não atrapalham, não enchem o saco, não prejudicam a aparência e a utilização do site. Isso tudo sem falar na facilidade em compartilhar músicas, vídeos, blogs e o que quer que seja. É uma rede social no seu conceito mais genuíno. Dá pra sentir os entrechoques de opiniões, o vai-e-vem dos acontecimentos, a rotina, os sentimentos, as novidades, o humor. O que ocorre no mundo passa por ali; e não passa ileso, incólume a uma crítica, uma opinião ou um gracejo. Organizam-se marchas a favor da maconha, missas, campeonatos de canastra da terceira idade… derruba-se ditadores e combina-se um ménage à trois.

O facebook conecta os jovens com a mesma velocidade e intensidade das suas paixões efêmeras e garante contatos eternos, diários, entre pessoas que se conheceram apenas um dia, no meio da rua ou no meio da noite, no outro lado do mundo… o facebook conecta homens e mulheres maduros com velhos amigos do tempo da faculdade, do colégio, do “ginásio”; com o guri da casa da esquina, que jogava bola na calçada, mas só se consegue lembrar que seu nome era Pedro, filho do seu Silva. Pessoas que perderam contato há anos porque trocaram de telefone e endereço reencontram-se facilmente, desde que não tenham mudado de nome.  Sou fã porque vejo no facebook uma das poucas coisas que, hoje, beiram a perfeição. Beiram…beiram…

E o facebook beira porque também me irrita. A culpa não é dele nem de seus criadores, mas das pessoas que o utilizam de maneira errada; e o utilizam da maneira mais chata possível: estorvando com correntes (“Deus não vai te amar, nunca mais, se não colares isto no seu mural e mandares para mais 18 pessoas em 6 minutos”), com joguinhos imbecis (“fulano me deu a letra J. Banda: Jamiroquai, comida: Jaca”), com convites para todas as espécies de “villes” e aplicativos desagradáveis (“beltrano respondeu 3 perguntas sobre você”). Há aqueles que fazem questão de relatar com esmero todos os pormenores de cada segundo de sua rotina e cada nuance de seus sentimentos [Nossa Senhora!! Como isso me irrita!]. Eu sei perfeitamente o ciclo menstrual de várias amigas minhas só com base nos “aiii, xô TPM! Vou matar alguém hoje!”.

Eu sei quantas vezes meus amigos vão à academia, o que comeram no almoço, o que ESTÃO comendo; sei suas péssimas notas na faculdade e chego a ficar aliviado [ironia] quando, 15 dias depois, leio “passei no exame!! Uhull!”. Eu sei, inclusive, quanto tempo cada formando está dedicando (ou não) ao seu TCC [pra mim, quem posta que está fazendo o TCC não está fazendo o TCC; está postando!]. Eu sei quem deu vexame na festa de ontem, quem vomitou e escorregou no próprio vômito, caiu e se machucou; quem dançou no pole dance… (não, não há discrição). E quando não é pra saber, mesmo assim eu sei, porque se comunicam abertamente, pois querem que os outros saibam… mas não podem contar. Usam piadinhas internas “ininteligíveis”, gírias dúbias e piscadinhas de olho que não enganam nem a freira de 91 anos que cuidava do recreio no meu colégio. Tudo isso eu sei. Mas não queria saber. Juro por Deus que não queria saber!!

Outro dia li um desabafo no mural de um amigo meu: “Vocês vão acabar com o facebook! Assim como acabaram com o Orkut!”. Dirigia-se a esse tipo de gente, cronistas do seu dia-a-dia, gente que descreve seus momentos com uma perfeição de invejar Nabokov, panfleteiros dos seus interesses, adeptos das correntes… um pessoal chato. Mas tudo bem… isso passa. Nada é perfeito. Vamos em frente.

Vamos em frente porque ainda não falei o que mais me irrita. Embora já tenha exposto várias coisas que, a meu ver, são desagradáveis, ainda resta uma que me deixa louco… que me faz levantar da cadeira e desligar o computador…  que me deixa possesso! É a pior raça de usuários do facebook: QUEM CITA CAIO FERNANDO DE ABREU.

Nada pessoal. Nada contra este grande escritor gaúcho, que tanto nos orgulha e inspira. O cara é bárbaro, inteligente, seus livros são ótimos, mas a frequência com que suas frases surgem no meu feed de notícias beira o infinito. Às vezes fico me perguntando se, antes de morrer, Caio Fernando de Abreu teria feito um pacto secreto com o Mark Zuckerberg, pelo qual ficaria estipulado que 80% das citações postadas em seu futuro invento haveriam de ser de sua autoria; deixando os outros 20% para Carlos Drummond de Andrade (sempre presente), Clarice Lispector (não aguento mais!), Bob Marley (haja paciência!) e Bezerra da Silva (porque malandro é malandro e mané é mané. Sabe como é, né.). Churchill, Castro Alves, Heinrich Heine, Casimiro de Abreu, Goethe; esse pessoal estaria excluído do pacto e terminantemente proibido de aparecer. Estariam eles sofrendo bullying?

Brincadeiras à parte, peguei o Caio como exemplo disso tudo que odeio; poderia ter sido o Drummond ou a Clarice. É que, invariavelmente, fico pensando até que ponto aquela pessoa que os citou realmente os conhece. Sou um entusiasta com relação a todos os benefícios culturais que a internet nos traz, à facilidade com que chegamos a qualquer informação a respeito de qualquer coisa. A Wikipédia e o Google podem não servir para um trabalho científico da faculdade, mas saciam, momentânea e suficientemente, nossas dúvidas (e de maneira mais rápida e dinâmica que as velhas enciclopédias empoeiradas – e, por óbvio, desatualizadas -, que ocupam duas estantes inteiras das casas dos nossos avós). O problema está na superficialidade, na cultura pela metade; o que é perigosíssimo. Nada errado em citar Drummond… mas, você tem um livro de poesias dele? (É claro que não. Pois, se tivesse, já o teria sublinhado todo, rabiscado, feito suas anotações e o devolvido à prateleira.) Aliás, você já leu inteira a poesia à qual pertence esta estrofe? Você realmente sabe o que ele quis dizer com isso? Ele viveu no século XIX, XX ou nem morreu ainda?  Tudo isso importa, “nada é sem razão de ser” (Schopenhauer, outro excluído, pobrezinho).

A cada citação, 18 “curtidas”, 5 comentários… e o rebanho é levado a conhecer o autor por uma frase. Por uma sentença. E no próximo churrasco o estarão citando, e se apoiarão em Baudelaire para argumentar futebol, basear-se-ão em Maquiavel se o assunto for política… e viva o embuste!! A ignorância se retroalimenta. A meia cultura é, repito, perigosíssima.

Outro dia, vi um desavisado católico citando Nietzsche. Linda frase, grande impacto, certeira… mas mal sabia ele que estava contida em um livro chamado “O Anticristo”, onde o autor destrói o cristianismo. Há gente que pensa que o “cale-se” do Chico Buarque é um “cálice”, desses de tomar vinho. Pobre Chico, pois há também quem cite aquele trecho: “amanhã vai ser outro dia”. Claro que vai. Hoje é quarta; amanhã, quinta. Nem sonham que esse dia durou 21 anos de desrespeito à liberdade dos cidadãos brasileiros durante o regime militar. Pra mim, a gota d’água foi quando li um poema que desconhecia até então, cuja temática era, grosso modo, o problema dos ideais socialistas e a crítica da transferência das terras para os pobres. Tudo ia muito bem; o poema era até coerente. Ia bem… se não fosse, ao final, ter sido atribuído a Maiakovski. Eu não podia acreditar… não conhecia o poema mas sabia um pouco sobre Maiakovski. Teria Vladimir Maiakovski, o poeta da Revolução Russa de 1917, amigo pessoal de Lênin, que insuflava as massas a derrubarem e a matarem o Czar, um bolchevique convicto, partidário daqueles que instituíram o primeiro governo socialista/comunista da história da humanidade…. teria ele, em algum momento de sua vida, repensado seus ideais e escrito esse poema direitista?!?! Fui atrás. Descobri que o poema era da autoria de um brasileiro ultradireitista de quem nunca tinha ouvido falar, escrito às vésperas do golpe militar de 1964, impregnado de ideias anticomunistas. Era exatamente o contrário. 50 anos errado!! Esta não passou nem próxima da trave. Passou tão longe quanto o Brasil é da Rússia. Maiakovski deve ter dado um salto mortal dentro do seu túmulo. Logo ele, que escreveu um poema chamado “À esquerda, à esquerda, à esquerda”. Reproduzo um trecho. Tirem suas conclusões:

“Camaradas, nós somos um rochedo de granito. Os bandidos da Entente se arremessam contra ele. Mas nada abaterá a Rússia Soviética. À esquerda, à esquerda, à esquerda! Eles não puderam furar os olhos atilados da águia que olha e compreende as lições do passado. Avante pois, meu povo, e já que o pegaste estrangula teu carrasco! A trombeta dos bravos já soou o alarme. Nossos estandartes aos milhares avermelham o céu. Só a rota dos traidores é que conduz à direita. À esquerda, à esquerda, à esquerda!”

Um erro imperdoável! Grotesco! Do tamanho da Rússia! Poderia ser qualquer outro, menos ele. Se tivesse sido atribuído ao Martinho da Vila estaria menos errado.

Antigamente falava-se muito em “intelectuais de orelha de livro”. Saudade deles (também insuportáveis), mas que ao menos tocavam no livro. Hoje, o “copiar-colar” eterniza o erro. O mesmo erro. O “Ctrl+C, Ctrl+V” importuna a vida de quem faz bom uso das redes sociais, obriga-nos a ler quinhentas mil vezes a mesma passagem de “O pequeno príncipe” que lemos quando tínhamos 12 ou 13 anos; qual verdugo, nos tortura e massacra com frases manjadas e repetidas ad eternum. Não sou o dono da verdade. Não quero ser pedante. Não há problema em não saber. Conheci, durante a minha vida, muitas pessoas interessantíssimas que mal sabiam ler, pessoas agradáveis que viviam em um galpão, pessoas que falavam por si sobre o que elas achavam da vida (muitas vezes estavam certas) e – o mais importante – não escondiam sua ignorância atrás de autores com nomes complicados. Sabiam que nada sabiam (como Sócrates – que não é o jogador de futebol) e por isso já sabiam muito!!!

Não é necessário ler toda a Bíblia para citar Jesus Cristo; eu não li toda a obra de Sócrates para escrever a outra linha, mas tenho a mínima noção necessária para falar com segurança. Ninguém está isento de erros, mas nem por isso fala-se o que quer sobre qualquer assunto. Eu não falo sobre quadros, arquitetura, culinária, medicina… e eu não falo porque não sei. Eu não cito Clarice Lispector. E eu também gostaria de dizer que nunca li sequer UM livro da Clarice Lispector (atire a primeira pedra), mas ainda hei de ler. Eu nunca li “Morangos mofados” do Caio Fernando de Abreu e gostaria muito de ler; mas, quando eu ler, vou rabiscar todo o meu livro, marcar as melhores partes, devolvê-lo à estante e discutir com meus amigos num momento propício, pra não encher o saco de ninguém!

Nem tudo está perdido. Conheço muita gente que concorda com isso. Conheço gente que me faz rir no facebook, que posta fotos legais, vídeos interessantes, faz comentários sagazes, piadas boas, dá opinião, xinga. Conheço gente que não fala nada, e esses são incríveis. Gente que escreve “MERDA!!!” quando seu time toma um gol. Esse pessoal sincero, que diz o que pensa; não o que está fazendo. Pois, entre a simplicidade inocente de um sentimento e as falsas intelectualidades, eu fico com a primeira!

Ainda ontem, uma amiga minha postou um vídeo do argentino Jorge Luis Borges, um dos maiores poetas de língua espanhola que já passou pela face da terra. Lindo! Fiquei feliz. As postagens legais contrabalanceiam as impertinentes. Foi como um raio de luz que cruzou a profunda escuridão na qual habitava meu feed de notícias.Respirei mais aliviado… mas minha saúde ainda está debilitada. Não sei se aguento mais uma citação do Caio Fernando de Abreu!

 

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Método DeRose – Uma Cultura

Cultura significa, entre outras coisas: conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes, etc. que distinguem um grupo social (Dicionário Houaiss).

Seguindo esta definição, não há como não relacionar o Método DeRose ao conceito de Cultura. Por cultura entende-se toda a ação que iterfira na maneira de ser de cada indivíduo, seja positiva ou negativamente. Assim sendo, todo estímulo à melhoria comportamental e social é considerado fator cultural. Cultura é tudo aquilo que se faz. Quando, por exemplo, se decora uma casa com determinados artigos, se está fazendo cultura; quando se consome qualquer alimento local ou não, se está tomando posição cultural.

O Método DeRose é composto por técnicas e conceitos que visam a melhoria da performance de seus praticantes em todos os aspectos de suas vidas através do qual seus praticantes atingem estados elevados de consciência. As técnicas são oriundas de um acervo antigo de um povo que primava pelo bem-estar e por melhores relações humanas. Cada povo traz em sua história características específicas que são categorizadas em dois aspectos: os existenciais e os paradidáticos. Aspectos paradidáticos distinguem determinados povos através das relações científicas, comprovadas através de experimentos. Dos existenciais, saem ensinamentos que encantam novos e velhos, formam um amálgama que é levado a outros povos e países. A transmissão destes conhecimentos reforça as raízes do povo e determinam sua existência. Da cultura se pode identificar uma raça, nação e comportamento. Nesta, se pode incluir a poesia, as artes plásticas, a literatura, a culinária, os esportes e, desta maneira, os fatores comportamentais específicos deste ou daquele grupo de pessoas. Um grupo de indivíduos que tem consciência de sua história e prefere vivenciar estes ensinamentos acaba por contribuir em seu próprio desenvolvimento.

O que faz deste Método uma proposta cultural é a intenção de que seus praticantes adotem um modo de vida que prioriza uma reeducação comportamental, especialmente o bom relacionamento entre os seres humanos e tudo o que possa estar associado a isso. O praticante do Método DeRose deve ser uma pessoa refinada, polida, para que conviva com os demais e influencie positivamente suas atitudes. A cultura, a educação e todas as circunstâncias vivenciadas incorporam-se inexoravelmente ao seu patrimônio corporal. Se você identifica-se com esta proposta, venha praticar e vivenciar as técnicas e conceitos do Método DeRose.

Este texto foi escrito por Leonardo Pinho, Instrutor do Método DeRose Rio Branco.

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Aos meus amigos – por Ana Flores

A amizade é uma das coisas mais bonitas que se vê por aí. Posso dizer que quem tem pelo menos um amigo, já tem muita coisa. Já tem histórias para contar e histórias para quem contar. Tem histórias para ouvir. Tem lugares para ir e lugares para voltar. Saldo positivo. Não me refiro aos 869 amigos que você tem no facebook mas sim aquela pessoa que você não precisa falar nada porque ela já entendeu tudo. Os conhecidos e as pessoas queridas deixam a nossa vida mais colorida mas o amigo é uma peça fundamental no guarda-roupa. É o santo jeans nosso de todo dia. É com quem a gente pode contar. É fácil de combinar. Aliás, onde há amizade é tudo mais fácil. Dizer não não é pesado. Ouvir um não pode ser um aprendizado. As coisas chatas acabam sempre virando piada um dia. As coisas legais são sempre motivo para serem lembradas e relembradas. Amigo tem mania de compartilhar tudo com o amigo, nunca ví coisa igual. Compartilha música, segredos, fotos. Desejos, arquivos e pensamentos sórdidos. Amigo compartilha sonhos, tristezas e realizações. Empresta dinheiro no Banco Imobiliário. Amigo compartilha da existência do outro. Como diz um amigo meu, quando dividimos algo, na verdade, estamos multiplicando. Ter amigos é ter pessoas para compartilhar a vida e eu não vejo nada mais prazeroso do que isso. Porque bom mesmo é a amizade, o resto é perfumaria.

 

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“Ah! O que você faz não é (a palavra mágica)?”

Recentemente, conversando com uma pessoa ela me fez a pergunta do título. Perguntei-lhe o que ela entendia pela palavra mágica:

- O que é [palavra mágica] para você?

Resposta:

- Bem, [palavra mágica] é muito bom! É muito bom para acalmar. Uma terapia muito boa. Minha avó pratica essa ginástica e faz muito bem para ela. Estou pensando em mandar lá a minha mulher porque ela é que gosta “dessas coisas”. Ela está grávida e eu ouvi dizer que é muito bom para a gestação. Ela aproveitava e levava junto as crianças para praticar com ela. Quem sabe se assim ficam mais tranquilas. Mas na sua [palavra mágica no feminino] não tem que rezar, não, né?

Minha explicação:

- Pois é, meu amigo, você menci0nou acalmar, terapia, ginástica, idosos, mulheres, crianças, gravidez, religião e “essas coisas”. Nós não fazemos nada do que você mencionou. Percebe porque não podemos designar o que fazemos com o mesmo nome que você acabou de mencionar? Se a população e a mídia, pela denominação que você utilizou, entendem essa batelada de estereótipos que não tem nada a ver com o nosso trabalho, não podemos nos referir ao nosso trabalho usando a mesma palavra.

Perplexidade:

- Mas então, o que é que você faz?

Oportunidade de esclarecer:

- Nós propomos um Método de qualidade de vida, um estilo de vida com técnicas e conceitos para maximizar o rendimento na profissão, a alta performance no esporte e aprimoramento nas relações humanas. Aqui está opocket book O Método DeRose que esclarecerá melhor o que ensinamos; e este é o meu cartão de visitas que tem no verso um resumo da nossa proposta.

Conclusão:

- Ah!… Isso vai ser bom é para o meu filho de trinta anos, que é empresário e desportista.

(Texto extraído do livro Zen Noção, do Mestre DeRose)

 

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Beleza Sustentável – por Naiana Alberti

Muito se escreve sobre beleza em revistas e jornais. Há uma infinidade de cosméticos que prometem acabar com as rugas, com as imperfeições e retardar o envelhecimento. Lemos sobre dietas milagrosas, pílulas que rejuvenescem e novidades no campo da ciência que possuem o único intuito de preservar a nossa juventude.

Na maioria dos casos, o que vemos são efeitos paliativos que escondem temporariamante o quanto nos descuidamos de nós mesmos. Estamos realmente na era do vídeo-clip, do fast food, da velocidade mega da internet. As pessoas exigem rapidez em tudo, inclusive para os resultados na área da estética. Ao mesmo tempo, isso gera uma falta de profundidade no entendimento das coisas. O tempo é curto e todos precisam obter alguma informação sobre o assunto do momento: sejam os escândalos na área da política, o que acontece com as celebridades, os últimos lançamentos da moda ou a nova cor de esmalte. E sobre o que acontece dentro de nós, investimos quanto tempo? Como consequência desse tipo de atitude, muito influenciada pelos meios de comunicação, a sociedade atual gera um indíviduo que se conhece superficialmente e que se preocupa muito mais com a beleza exterior do que com o seu próprio bem-estar. Há uma enorme preocupação em parecer belo e um verdadeiro descuido ou desinformação quanto a ser belo.

Além disso, a indústria da beleza criou um arquétipo inatingível e uma realidade insustentável. Um tipo de beleza que não é natural nem alcançável pela maioria das pessoas. O público mais suscetível a esse tipo de pressão é o feminino. Mulheres sempre magras, rostos perfeitamente simétricos, pele homogênea e cabelos de acordo com a moda estampam os editoriais de moda. Como se não bastasse isso, ainda existe outro agravante nesse processo de culto a um ideal de beleza, que são as revistas femininas destinadas a uma determinada faixa etária utilizarem, como modelos, mulheres com dez ou vinte anos a menos do que o público alvo. Como conquistar esse ideal? Como ter dez ou vinte anos a menos? Uma tarefa impossível para uma geração de mulheres insatisfeitas e com uma série de distúrbios alimentares e de imagem.

A pergunta que faço é: como sustentar uma beleza independentemente dos recursos estéticos que existem? Como ser belo de verdade? Nesse cenário surge um novo conceito que é o da beleza sustentável. Segundo o escritor DeRose, referência na área do bem-estar e da qualidade de vida, beleza sustentável é aquela maneira de se expressar na vida, na família e no trabalho, de forma a deixar satisfeita e realizada a própria pessoa, acima de tudo, e os demais, por consequência. Beleza sustentável é aquela que pode e deve ser cultivada independentemente da cosmética e das plásticas, as quais podem atuar como coadjuvantes, mas jamais como solução mágica. Beleza sustentável é aquela que resiste ao longo dos anos, seja qual for a idade da pessoa e sempre arranca exclamações de admiração.

Esse conceito de beleza pode ser assimilado e incorporado por nós em nossa maneira de ser, na forma como interagimos com as pessoas e como influenciamos o universo ao nosso redor. Fazemos isso evitando situações de stress, cultivando bons relacionamentos entre os seres humanos, procurando sempre uma forma mais sensível e amorosa de tratar com a família, com o parceiro afetivo, com os colegas de trabalho, com os amigos e até mesmo com os desconhecidos.

Trata-se de uma beleza cultivada de dentro para fora que extrapola os limites internos e se reflete em nosso corpo físico externo. Trata-se de uma beleza verdadeira, que pode ser sustentada por anos ou décadas.  Com o tempo, descobrimos que a beleza, muitas vezes, não está atrelada a nenhum fator físico especial, mas que é um reflexo da forma como nos sentimos num determinado momento. Por exemplo, quando recebemos um elogio, quando nos sentimos valorizados, quando realizamos com sucesso algum projeto, quando nos sentimos especiais. Podemos concluir que a beleza sustentável é aquela construída com base na auto-estima, na segurança e no conforto pessoal.

Nesse panorama, o Método DeRose possui ferramentas para o desenvolvimento integral do ser humano, com conceitos e técnicas oriundas de tradições muito antigas, que acentuam essas potencialidades. Esse trabalho vem sendo realizado há 50 anos no Brasil e fora dele, com o intuito de aprimorar a mente, o emocional e o corpo. Para isso, o Método utiliza uma série de técnicas corporais, respiratórias e de mentalização, que nos ensinam a gerar determinados modelos mentais, os quais nos ajudam a superar circunstâncias difíceis, outras bastante duras e até mesmo aquelas aparentemente impossíveis de serem superadas. Percebe-se que às vezes basta um tom de voz amigável, um sorriso ou a palavra certa para administrar um conflito e mantermos um estado de bem-estar constante.

Um estado de animosidade numa relação afetiva, entre amigos ou colegas de profissão, pode deteriorar e comprometer, às vezes para sempre, essas relações. Pessoas de bem com a vida vivem mais, produzem mais no trabalho e aumentam sua expectativa de vida, o que caracteriza uma das propostas do Método.

Segundo o Educador DeRose, é preciso que cada pessoa se preocupe com a sua atualização e auto-superação constante. Ele afirma que ao longo da vida dele, observou que as mulheres que conseguiam tudo o que queriam – fosse no âmbito profissional, fosse no afetivo – não eram as esculturais. Eram as que possuíam beleza interior. Elas cativavam, conquistavam e seduziam pelo olhar, que expressa o que cada um tem de verdadeiro dentro de si. Isso é beleza sustentável!

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